segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Uma história de amor e um jogo inesquecível na Javarí

Esse é um relato que escrevi em 26/11/2007, um dia depois do jogo que deu ao Clube Atlético Juventus o título da Copa Federação Paulista de Futebol.
Fiz algumas pequenas modificações, mas espero que nada que venha a descaracterizar um texto escrito ainda no calor das emoções.
A publicação, hoje, é apenas uma forma de homenagear a pessoa que há dois anos mudou, para muito melhor, a minha vida. Espero que ela aprecie o texto e sinta-se homenageada.
Os amigos queridos citados no decorrer do texto são Christian, Kleber e Raquel. A eles, além da amizade, também os agradeço por me apresentarem a Rua Javarí e por compartilharem comigo o carinho pelo ilustre clube da Moóca.

"Para contar a epopéia da conquista juventina, precisaria retroceder algumas horas, mais precisamente, às 6:30 da manhã, horário que acordei para assistir ao jogo no estádio Conde Rodolfo Crespi, popularmente conhecido como estádio da Rua Javarí. Também foi necessário acordar a namorada, que iria ao jogo comigo e parecia muito contrariada por não suportar acordar cedo aos fins de semana - ainda mais para ir a um estádio de futebol na longínqua Moóca (moro nas bandas da Freguesia do Ó).
Como a minha condição financeira não é das melhores, tivemos de encarar ônibus e metrô para, finalmente, encontrarmos os amigos que também iriam assistir ao jogo. Durante o caminho se trocamos duas palavras foi muito e a cara dela de sono e irritação persistiam.
Dois pensamentos vieram a minha mente: ou o mau humor matutino dela está um pouco mais prolongado que o normal ou vou ter de encarar aquele bicão o dia inteiro e ficar sem entender porquê dela ter aceitado o convite para ir comigo nesse jogo - é importante frisar que já fomos juntos algumas vezes à Javarí, mas em horário muito mais agradável, às 15:00, e ela gostou muito.
Amigos encontrados, lugares garantidos no estádio, percebi que o ar de contrariedade se dissipava. Ir à Rua Javarí é uma das experiências mais gostosas pela qual pode passar um amante e torcedor de futebol. Além de “retornar” no tempo e da atmosfera agradável que há entre as pessoas que vão assistir aos jogos, você sente-se efetivamente parte do espetáculo que é o jogo de futebol – algo cada vez mais raro nesse futebol dito profissionalizado, que cada vez mais trata o torcedor como mero espectador e, ainda assim, pelo menos aqui no Brasil, um espectador muito mal tratado.
Clima de decisão e pela primeira vez vejo a Javarí lotada. Tratava-se de um momento histórico: o Juventus estava prestes a se tornar campeão, algo que acontecera apenas duas vezes na trajetória do clube, fundado em 1924.
Todos confiantes na conquista juventina! Afinal, o Juventus podia perder por até 1 gol de diferença (o primeiro jogo, em Lins, foi 2 a 1 para o Juventus).
Jogo se inicia e a confiança logo aumentou com o Juventus abrindo o placar logo no início, num belo chute de fora da área de Elias.
E a festa aumentou com o pênalti sofrido por Valdir (lateral-direito subaproveitado durante toda a partida). O segundo gol praticamente selaria o título. Porém, a cobrança foi batida na trave e, logo em seguida, para dar uma esfriada legal no clima, o Linense marcava o seu primeiro gol.
Fim de 1º tempo: 1 x 1. E intervalo é hora de encarar uma multidão para comer o tradicional canoli (com recheio de creme ou de chocolate) feito e vendido por um senhor sempre muito suado e ágil no atendimento dos seus muitos clientes.
Segundo tempo. Jogo equilibrado, mas o Juventus insistia em perder gols fáceis. A cada minuto que avançava, o time recuava mais, dando campo para a pressão do time de Lins.
Eu, que torcia desesperadamente para que o jogo acabasse o mais depressa possível, passei a ser ridicularizado pelos meus amigos que diziam: “Só mesmo corintiano para comemorar título com um empate”. Típico comentário de são-paulino emergente, mas que pouco conhece sobre futebol.
Voltando ao jogo, o clima de tensão aumentava com o gol do Linense, aos 38 minutos. Os meus apelos pelo fim de partida aumentavam e quando o quarto árbitro levantava a placa indicando o acréscimo de 3 minutos, em mais uma falha da zaga juventina, o juiz marcou corretamente pênalti a favor do Linense.
O sentimento que tomou conta do estádio naquele momento pode ser resumido em duas palavras: perplexidade e desespero. Ali, sentado no concreto das numeradas cobertas da Javarí, vinha-me a imagem do Maracanazzo de 1950. Naquele instante, acho que pude entender a dor que aqueles torcedores sentiram ao ver um título tão esperado e considerado ganho, sendo perdido.
Pênalti bem cobrado e o Linense fazia 3 a 1. O Linense, time da Terceira Divisão paulista, levava naquele momento o título da Copa Federação Paulista de Futebol.
Restavam ainda 1, 2 minutos, mas o time do Juventus estava totalmente desordenado e nada indicava que o quadro se alterasse.
Até que o juiz marcou uma falta no meio campo. Seria o último lance do jogo. Os dois times praticamente inteiros se posicionaram dentro da área. Bola cruzada para a área. Bate-rebate e a bola sobrou para o chute torto do lateral-esquerdo juventino João Paulo, desviou em um zagueiro do Linense, até, finalmente, morrer na rede. Gol! Festa e fim de partida!!! O Juventus se sagrava campeão da Copa FPF!
Êxtase na Javarí! Todos no estádio comemoravam. Vejo os meus amigos, felizes e emocionados diante de momento tão apoteótico. A primeira pessoa que abraço – e beijo – calorosamente é a minha namorada que vibrou, torceu e se emocionou durante toda a partida. Depois o abraço nos amigos que vibravam com o título ganho com uma derrota por 3 a 2...
Enfim, são momentos como esse que ratificam o quão maravilhoso e apaixonante é esse jogo chamado futebol. E na saída da Javarí, de mãos dadas com a minha namorada, naquele momento, tão feliz quanto eu, fiquei com a sensação de que é muito melhor quando tal paixão pode ser compartilhada com a pessoa amada. E é a ela, a minha amada, a quem dedico essas linhas"

Um comentário:

Unknown disse...

lindo, adorei...
beijos aos montes.