Robinho surgiu para o futebol em 2002, ano em que ajudou (e muito!) o Santos a conquistar o título do Campeonato Brasileiro. Destacou-se, sobretudo, na finalíssima diante do Corinthians, treinado por Parreira. A sua seqüência de pedaladas diante do atordoado lateral-direito corinthiano Rogério entrou para o rol dos grandes momentos do futebol.
Depois disso, Robinho tornou-se celebridade e apontado como o futuro grande craque do futebol brasileiro. Até por conta da semelhança física, foi comparado a Pelé em seu início de carreira pelo mesmo Santos.
Passados 6 anos e outros possíveis “futuros grandes craques do futebol brasileiro”, Robinho não se tornou o grande craque que todos esperavam. Transferiu-se em 2005 para o badalado Real Madrid, mas nunca conseguiu engrenar na equipe madridista. Teve alguns bons momentos, mas nunca se firmou como titular absoluto do time. Na seleção brasileira, alguns lampejos e boas atuações, mas nada que lembre aquele garoto atrevido que liderou o Santos na campanha de 2002 e em outros campeonatos pelo time litorâneo.
Para piorar, foi perdendo o crédito que tinha com a torcida. Angariou a fama de “baladeiro” e passou a ser duramente criticado por sua postura anti-profissional, principalmente, depois do episódio em que convocou a imprensa para manifestar o seu desejo de não mais permanecer no Real Madrid, mesmo tendo contrato em vigor com o clube. Aliás, comportamento muito parecido ao que teve no Santos, quando decidiu abandonar o elenco do Peixe para forçar a sua transferência ao Madrid.
Forçou a barra para ir ao Chelsea, treinado por Felipão, mas acabou parando no modesto Manchester City, clube em que tenta reabilitar a sua imagem e, finalmente, alcançar o objetivo que traçou ao ir a Europa, o de tornar-se um dos maiores jogadores do planeta. Deixando de lado, no momento, as razões que levam talentosos jogadores brasileiros a mostrarem-se cada vez mais precocemente enfadados com a carreira de atleta – e os casos são inúmeros –, volto as minhas atenções ao atual Campeonato Brasileiro e vejo dois jogadores que poderiam servir de exemplos para Robinho: Iarley e Romerito (!?).
Proposta absurda? Não, e explico o porquê.
Além de jogadores medianos e de nomes bizarros, suas trajetórias apresentam mais algumas semelhanças: ambos são jogadores já veteranos, rodados, da categoria dos “ciganos da bola” e cujos destinos se cruzaram recentemente. Saíram a contragosto dos times em que atuavam, para atuar em um Goiás com a moral em baixa e tido como favorito ao rebaixamento. E, mesmo assim, de forma surpreendente, conseguiram dar a volta por cima em suas carreiras e são destaques da ascendente campanha do Goiás, atual líder do 2º turno do Brasileirão.
Iarley conseguiu construir uma bela carreira. Foi duas vezes campeão mundial Interclubes, pelo Boca Juniors e pelo Internacional, sendo, nessa última conquista, considerado o Bola de Prata da competição. Por tudo isso, criou uma forte identificação com a equipe colorada. Mesmo assim, a diretoria do Inter, alegando necessidade de renovar o elenco, descartou Iarley e o negociou com o Goiás no início do campeonato.
Já Romerito, diferentemente de Iarley, pela primeira vez experimentava a sensação de estar em um time campeão. Depois de rodar por inúmeros clubes, finalmente tinha a oportunidade de integrar um elenco que viria a ser vitorioso. O Sport, em sua campanha na Copa do Brasil, superou favoritos como Palmeiras e o Internacional e Romerito era um dos protagonistas pela façanha do clube pernambucano. Porém, o seu sonho de ser campeão em campo foi abortado, já que o seu contrato de empréstimo com o Sport se encerrou dias antes dos jogos finais contra o Corinthians. Impossibilitado de estar presente naquele que seria o momento ápice de sua carreira, viu-se obrigado a retornar ao Goiás.
Apesar de não quererem estar ali naquele momento, ambos encararam um difícil recomeço no Goiás. Talvez porque reconhecessem que o clube goiano nada tinha a ver com o descaso do time gaúcho e a incompetência da diretoria pernambucana. Ou talvez porque a experiência tenha os ensinado que na vida e naquilo que qualquer indivíduo se propõe a fazer, sempre existe a necessidade (e mesmo a cobrança) de se provar a sua competência. E, hoje, são protagonistas da reação do clube esmeraldino.
Voltando a Robinho, se ele quiser dar um impulso na sua carreira, pode inspirar-se nesses “trabalhadores da bola”, jogadores que nunca foram cogitados para serem os melhores do mundo. Quem sabe, assim, ele possa definitivamente largar o estigma de eterna promessa.
Ps. 1: Depois do fracasso da campanha para reabilitar Ronaldinho Gaúcho, agora a Globo faz todo um oba-oba para recuperar a imagem de Robinho. Vide a enorme repercussão feita pela sua atuação na goleada de 6 a 0 do Manchester City sobre o todo-poderoso Portsmouth.
Ps. 2: Não sei se é um indicativo de mudança de postura por parte do jogador, mas na semana passada, Robinho anunciou o fim do seu vínculo com o polêmico (na pior conotação possível) empresário de atletas, Vágner Ribeiro.
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Um comentário:
Belo texto, mas acompanhar de perto as trajetórias de Iarley e Romerito é coisa de tarado por futebol rsrs.
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