Depois de um longo período, retomo as atividades do blog.
Alguns problemas e a preguiça dos autores motivou esse longo intervalo. Mas é ano novo e mesmo que a vida seja a mesma de sempre, porque não aproveitar-se dessa simbologia construída pelo imaginário social e adotar um novo espírito quanto a certas coisas. Acho que é essa a mentalidade que, por ora, encaro o blog.
Pois bem, o recesso aconteceu justamente no final da temporada 2008. Sendo assim, tentarei fazer aqui um "resumão" e abarcar alguns dos principais acontecimentos do futebol brasileiro.
E começo falando de Seleção Brasileira. Soa até estranho em meio a um emocionante fim de temporada do futebol brasileiro, falar de Seleção.
Na reinauguração do Bezerrão, estádio cuja reforma custou aos cofres públicos do Distrito Federal R$50 milhões (cabe também dizer que o estádio tem 20 mil lugares e não será usado para a Copa do Mundo. Será um centro de treinamento de luxo...), a Seleça, que havia passado em branco nas três últimas partidas disputadas em solo brasileiro, meteu 6 x 2 na Seleção de Portugal. Vitória brasileira no jogo em que duelavam entre o então atual melhor do mundo, Kaká, e aquele que meses mais tarde assumiria essa condição, Cristiano Ronaldo. E mesmo com todos esses atrativos, a Seleção foi deixada de lado na preferência dos torcedores.
Cabe uma melhor análise a essa questão, mas é notório o crescente distanciamento da Seleção com a sua torcida. O brasileiro, hoje, dedica muito mais atenção ao clube pelo qual torce, exceção feita, talvez, à época de Copa do Mundo.
E no fim das contas, quando muitos já noticiavam a demissão de Dunga, eis que o treinador fashion ganhou uma sobrevida. Aliás, penso que é muito conveninente a CBF a manutenção de Dunga. Enquanto a torcida e, principalmente, a midia esportiva se dedica a detonar o iniciante treinador, atribuindo a ele todos os males do futebol brasileiro, a CBF faz todos os seus conchavos políticos para montar a sua Copa do Mundo. E o torcedor brasileiro, em geral, é totalmente desprezado no que se refere aos rumos da organização da maior festa do futebol. E dizem que esse é o "país do futebol". Pode até ser, mas parece entregue a alguns poucos donos.
Falando dos clubes, como era de se esperar, o Corinthians confirmou o seu retorno a série A em 2009. O que acho que nem o corinthiano mais apaixonado imaginava é que seria tão tranquilo. Bem diferente do famoso chavão de que tudo para o Corinthians é mais difícil.
Na campanha, o que mais me chamou a atenção foi a forma como a torcida embalou o time. Em determinado momento, com o Timão com vantagem já folgada para os seus adversários, a graça da Série B estava na festa que a torcida corinthiana promovia nas arquibancadas - não apenas no Pacaembú, mas na maioria dos estádios em que o Corinthians jogou.
O que durante quase todo o ano muitos não imaginavam que pudesse acontecer, mas concretizou-se, foi a conquista do tricampeonato do Brasileirão pelo São Paulo.
É injusto dizer que o São Paulo ganhou pela incompetência dos outros concorrentes - Grêmio, Cruzeiro, Palmeiras e Flamengo. O time fez uma campanha excelente no segundo turno do Brasileiro, sofreu uma única derrota e foi superior aos seus rivais pelo título nos confrontos diretos. Mas, cabe ser dito que o futebol apresentado por esse São Paulo foi bem inferior ao apresentado nas duas primeiras conquistas.
O título fortaleceu ainda mais a figura de Muricy Ramalho, considerado figura-chave na conquista tricolor. Mas eu destaco também Rogério Ceni (mesmo que as vezes eu implique um pouco com a sua figura... rs). Não o considero o melhor goleiro, mas consegue crescer muito a sua performance nos jogos decisivos (claro, a exceção da final da Libertadores contra o Inter. Não podia deixar de dar a minha agulhada... rs)
A repercussão do título tricolor durou pouco. Exatos dois dias, pois caía a bomba da contratação de Ronaldo pelo Corinthians. Confesso que quando soube da notícia, fiquei sem entender direito o que se passava. Mas, apesar do receio quanto a sua condição física, eu e acho que a maior parte dos corinthianos (e poderia dizer a maior parte dos torcedores de futebol do Brasil e do mundo) ficaram muito felizes com o retorno do Fenômeno.
Muito mais do que a jogada de marketing e retorno financeiro - algo que me gera certas dúvidas, ainda mais por conhecer a "competência" e a "índole" das pessoas que dirigem o Timão - a contratação de Ronaldo, foi simbolicamente importante para o torcedor corinthiano.
Fechava-se um ano que deve ser lembrado na história do clube. Depois de uma temporada na Série B, a vinda do Fenômeno, um dos maiores jogadores da história do futebol mundial, serviu para fortalecer ainda mais o "corinthianismo".
E 2009? Clubes no período de preparação para os campeonatos que serão disputados durante o ano. Por conta da crise financeira, os principais valores da temporada passada seguirão no país. Os clubes europeus estão segurando os gastos.
Mas, contrariando a prudência do mercado, eis que essa semana estoura a bomba da possível contratação de Kaká pelo Manchester City, pela absurda quantia de 100 milhões de euros. Parece que apesar da recusa incial, Kaká deverá atuar ao lado de Robinho. A acompanhar os próximos capítulos...
Bem, a bola mesmo só vai começar a rolar na semana que vem, mas aqui foi dado o início da temporada 2009 do "Visões sobre o futebol". Vamos ver se atuaremos como o Ronaldo dos tempos de Barcelona (e, oxalá, de tempos em que vestirá o manto corinthiano... rs) ou se nos portaremos como o Ronaldo dos últimos anos, preguiçosos, meio gordos e postando um texto de vez em nunca...
Por ora é só e feliz 2009 a todos!
PS: O autor faz questão de frisar que não se adequou à reforma ortográfica. Os motivos vão desde a não aceitação da idéia de padronização da forma escrita até o desconhecimento de todas as aletrações que abrangem tal reforma...
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
São Paulo e Corinthians em “Linha de passe”, de Walter Salles
Sempre achei o Walter Salles um bom diretor de cinema até os 15 minutos finais de seus filmes. Até os 30 do segundo tempo, o cineasta costumava apresentar, com razoável competência, produções de temáticas sociais, com nítida preocupação fotográfica, tratadas com delicadeza, embora em alguns (ou muitos) momentos flertando com a emoção fácil. Mas sempre a coisa começava a desandar até que, no final, vinha a morte súbita do filme.
A cena mais representativa desta “perda de mão” está em “Diários de Motocicleta”, uma saga do jovem Ernesto, futuro Che Guevara. Apesar das críticas que apontaram certa incoerência na estrutura narrativa do longa, tratou-se de contar, de forma equilibrada, uma aventura de meninos argentinos bem-nascidos e ávidos por um pouco de emoção em viagem pela América Latina. Mas, claro, “o jogo só acaba quando termina”. No clímax do filme, quando Ernestinho começa a se tornar Che, o asmático personagem, no dia de seu aniversário, arrisca-se heroicamente (para não dizer messianicamente) atravessando a nado o riacho de um leprosário peruano – que separa os sãos dos doentes –, embalado por uma trilha sonora de intenções “novelisticamente” dramáticas, para comemorar, do outro lado, o seu dia com os segregados.
Assim, quando fui assistir ao “Linha de passe”, confesso que esperava deslizes parecidos. Ainda mais porque que se tratava de uma história de drama familiar na periferia de São Paulo: quatro irmãos e uma mãe grávida do quinto filho. Mas errei no meu prognóstico. O filme foi conduzido de maneira muito diferente da costumeira, equilibrada. Não há, na linguagem do filme o sentimentalismo de sempre. Os personagens, ao contrário, são duros, contraditórios, humanos.
Porém, não se trata, aqui, de analisar as questões técnicas inerentes à produção cinematográfica, mas sim a presença do tema do futebol na trama do filme. E esta se deu de maneira precisa: O enredo, pode-se dizer, desenha alguns tensos momentos de contatos dos membros da acidentada família paulistana com o outro lado da sociedade, a classe média, as elites, no decorrer de suas trajetórias. Os personagens, desse modo, encontram pela frente a dura tarefa de forjar as suas sobrevivências e identidades em meio a uma composição social caótica e essencialmente contraditória. O futebol é, então, habilmente concebido como pano de fundo exemplar destas tensões. E, não por acaso, o clássico escolhido para tanto é São Paulo e Corinthians, times que, no imaginário futebolístico, representam tradicionalmente os contrastes riqueza/pobreza, elite/povo, ou, neste caso mais adequadamente, centro/periferia.
Neste aspecto do filme que enfatiza o futebol, a personagem central é certamente Cleusa, a mãe. Corintiana fanática, em muitos “takes” aparece no estádio em meio à fiel torcida. Suas desventuras particulares, como a quinta gravidez e a constante ameaça de desemprego, são permeadas por um drama coletivo que ela personifica: a luta do Corinthians para não ser rebaixado à série B do Campeonato Brasileiro. Se partirmos do que aconteceu ao time do parque São Jorge ao fim da competição, poderíamos ler no desfecho do filme a derrota das classes subalternas, representadas alegoricamente pela família paulistana. Mas, é bom que nos lembremos que o jogo que aparece nas telas onde “Linha de passe” é exibido terminou com o placar de 0x1, gol de Betão, o que garante um final de uma esperança apenas sugerida, e um belo filme.
A cena mais representativa desta “perda de mão” está em “Diários de Motocicleta”, uma saga do jovem Ernesto, futuro Che Guevara. Apesar das críticas que apontaram certa incoerência na estrutura narrativa do longa, tratou-se de contar, de forma equilibrada, uma aventura de meninos argentinos bem-nascidos e ávidos por um pouco de emoção em viagem pela América Latina. Mas, claro, “o jogo só acaba quando termina”. No clímax do filme, quando Ernestinho começa a se tornar Che, o asmático personagem, no dia de seu aniversário, arrisca-se heroicamente (para não dizer messianicamente) atravessando a nado o riacho de um leprosário peruano – que separa os sãos dos doentes –, embalado por uma trilha sonora de intenções “novelisticamente” dramáticas, para comemorar, do outro lado, o seu dia com os segregados.
Assim, quando fui assistir ao “Linha de passe”, confesso que esperava deslizes parecidos. Ainda mais porque que se tratava de uma história de drama familiar na periferia de São Paulo: quatro irmãos e uma mãe grávida do quinto filho. Mas errei no meu prognóstico. O filme foi conduzido de maneira muito diferente da costumeira, equilibrada. Não há, na linguagem do filme o sentimentalismo de sempre. Os personagens, ao contrário, são duros, contraditórios, humanos.
Porém, não se trata, aqui, de analisar as questões técnicas inerentes à produção cinematográfica, mas sim a presença do tema do futebol na trama do filme. E esta se deu de maneira precisa: O enredo, pode-se dizer, desenha alguns tensos momentos de contatos dos membros da acidentada família paulistana com o outro lado da sociedade, a classe média, as elites, no decorrer de suas trajetórias. Os personagens, desse modo, encontram pela frente a dura tarefa de forjar as suas sobrevivências e identidades em meio a uma composição social caótica e essencialmente contraditória. O futebol é, então, habilmente concebido como pano de fundo exemplar destas tensões. E, não por acaso, o clássico escolhido para tanto é São Paulo e Corinthians, times que, no imaginário futebolístico, representam tradicionalmente os contrastes riqueza/pobreza, elite/povo, ou, neste caso mais adequadamente, centro/periferia.
Neste aspecto do filme que enfatiza o futebol, a personagem central é certamente Cleusa, a mãe. Corintiana fanática, em muitos “takes” aparece no estádio em meio à fiel torcida. Suas desventuras particulares, como a quinta gravidez e a constante ameaça de desemprego, são permeadas por um drama coletivo que ela personifica: a luta do Corinthians para não ser rebaixado à série B do Campeonato Brasileiro. Se partirmos do que aconteceu ao time do parque São Jorge ao fim da competição, poderíamos ler no desfecho do filme a derrota das classes subalternas, representadas alegoricamente pela família paulistana. Mas, é bom que nos lembremos que o jogo que aparece nas telas onde “Linha de passe” é exibido terminou com o placar de 0x1, gol de Betão, o que garante um final de uma esperança apenas sugerida, e um belo filme.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Uma história de amor e um jogo inesquecível na Javarí
Esse é um relato que escrevi em 26/11/2007, um dia depois do jogo que deu ao Clube Atlético Juventus o título da Copa Federação Paulista de Futebol.
Fiz algumas pequenas modificações, mas espero que nada que venha a descaracterizar um texto escrito ainda no calor das emoções.
A publicação, hoje, é apenas uma forma de homenagear a pessoa que há dois anos mudou, para muito melhor, a minha vida. Espero que ela aprecie o texto e sinta-se homenageada.
Os amigos queridos citados no decorrer do texto são Christian, Kleber e Raquel. A eles, além da amizade, também os agradeço por me apresentarem a Rua Javarí e por compartilharem comigo o carinho pelo ilustre clube da Moóca.
"Para contar a epopéia da conquista juventina, precisaria retroceder algumas horas, mais precisamente, às 6:30 da manhã, horário que acordei para assistir ao jogo no estádio Conde Rodolfo Crespi, popularmente conhecido como estádio da Rua Javarí. Também foi necessário acordar a namorada, que iria ao jogo comigo e parecia muito contrariada por não suportar acordar cedo aos fins de semana - ainda mais para ir a um estádio de futebol na longínqua Moóca (moro nas bandas da Freguesia do Ó).
Como a minha condição financeira não é das melhores, tivemos de encarar ônibus e metrô para, finalmente, encontrarmos os amigos que também iriam assistir ao jogo. Durante o caminho se trocamos duas palavras foi muito e a cara dela de sono e irritação persistiam.
Dois pensamentos vieram a minha mente: ou o mau humor matutino dela está um pouco mais prolongado que o normal ou vou ter de encarar aquele bicão o dia inteiro e ficar sem entender porquê dela ter aceitado o convite para ir comigo nesse jogo - é importante frisar que já fomos juntos algumas vezes à Javarí, mas em horário muito mais agradável, às 15:00, e ela gostou muito.
Amigos encontrados, lugares garantidos no estádio, percebi que o ar de contrariedade se dissipava. Ir à Rua Javarí é uma das experiências mais gostosas pela qual pode passar um amante e torcedor de futebol. Além de “retornar” no tempo e da atmosfera agradável que há entre as pessoas que vão assistir aos jogos, você sente-se efetivamente parte do espetáculo que é o jogo de futebol – algo cada vez mais raro nesse futebol dito profissionalizado, que cada vez mais trata o torcedor como mero espectador e, ainda assim, pelo menos aqui no Brasil, um espectador muito mal tratado.
Clima de decisão e pela primeira vez vejo a Javarí lotada. Tratava-se de um momento histórico: o Juventus estava prestes a se tornar campeão, algo que acontecera apenas duas vezes na trajetória do clube, fundado em 1924.
Todos confiantes na conquista juventina! Afinal, o Juventus podia perder por até 1 gol de diferença (o primeiro jogo, em Lins, foi 2 a 1 para o Juventus).
Jogo se inicia e a confiança logo aumentou com o Juventus abrindo o placar logo no início, num belo chute de fora da área de Elias.
E a festa aumentou com o pênalti sofrido por Valdir (lateral-direito subaproveitado durante toda a partida). O segundo gol praticamente selaria o título. Porém, a cobrança foi batida na trave e, logo em seguida, para dar uma esfriada legal no clima, o Linense marcava o seu primeiro gol.
Fim de 1º tempo: 1 x 1. E intervalo é hora de encarar uma multidão para comer o tradicional canoli (com recheio de creme ou de chocolate) feito e vendido por um senhor sempre muito suado e ágil no atendimento dos seus muitos clientes.
Segundo tempo. Jogo equilibrado, mas o Juventus insistia em perder gols fáceis. A cada minuto que avançava, o time recuava mais, dando campo para a pressão do time de Lins.
Eu, que torcia desesperadamente para que o jogo acabasse o mais depressa possível, passei a ser ridicularizado pelos meus amigos que diziam: “Só mesmo corintiano para comemorar título com um empate”. Típico comentário de são-paulino emergente, mas que pouco conhece sobre futebol.
Voltando ao jogo, o clima de tensão aumentava com o gol do Linense, aos 38 minutos. Os meus apelos pelo fim de partida aumentavam e quando o quarto árbitro levantava a placa indicando o acréscimo de 3 minutos, em mais uma falha da zaga juventina, o juiz marcou corretamente pênalti a favor do Linense.
O sentimento que tomou conta do estádio naquele momento pode ser resumido em duas palavras: perplexidade e desespero. Ali, sentado no concreto das numeradas cobertas da Javarí, vinha-me a imagem do Maracanazzo de 1950. Naquele instante, acho que pude entender a dor que aqueles torcedores sentiram ao ver um título tão esperado e considerado ganho, sendo perdido.
Pênalti bem cobrado e o Linense fazia 3 a 1. O Linense, time da Terceira Divisão paulista, levava naquele momento o título da Copa Federação Paulista de Futebol.
Restavam ainda 1, 2 minutos, mas o time do Juventus estava totalmente desordenado e nada indicava que o quadro se alterasse.
Até que o juiz marcou uma falta no meio campo. Seria o último lance do jogo. Os dois times praticamente inteiros se posicionaram dentro da área. Bola cruzada para a área. Bate-rebate e a bola sobrou para o chute torto do lateral-esquerdo juventino João Paulo, desviou em um zagueiro do Linense, até, finalmente, morrer na rede. Gol! Festa e fim de partida!!! O Juventus se sagrava campeão da Copa FPF!
Êxtase na Javarí! Todos no estádio comemoravam. Vejo os meus amigos, felizes e emocionados diante de momento tão apoteótico. A primeira pessoa que abraço – e beijo – calorosamente é a minha namorada que vibrou, torceu e se emocionou durante toda a partida. Depois o abraço nos amigos que vibravam com o título ganho com uma derrota por 3 a 2...
Enfim, são momentos como esse que ratificam o quão maravilhoso e apaixonante é esse jogo chamado futebol. E na saída da Javarí, de mãos dadas com a minha namorada, naquele momento, tão feliz quanto eu, fiquei com a sensação de que é muito melhor quando tal paixão pode ser compartilhada com a pessoa amada. E é a ela, a minha amada, a quem dedico essas linhas"
Fiz algumas pequenas modificações, mas espero que nada que venha a descaracterizar um texto escrito ainda no calor das emoções.
A publicação, hoje, é apenas uma forma de homenagear a pessoa que há dois anos mudou, para muito melhor, a minha vida. Espero que ela aprecie o texto e sinta-se homenageada.
Os amigos queridos citados no decorrer do texto são Christian, Kleber e Raquel. A eles, além da amizade, também os agradeço por me apresentarem a Rua Javarí e por compartilharem comigo o carinho pelo ilustre clube da Moóca.
"Para contar a epopéia da conquista juventina, precisaria retroceder algumas horas, mais precisamente, às 6:30 da manhã, horário que acordei para assistir ao jogo no estádio Conde Rodolfo Crespi, popularmente conhecido como estádio da Rua Javarí. Também foi necessário acordar a namorada, que iria ao jogo comigo e parecia muito contrariada por não suportar acordar cedo aos fins de semana - ainda mais para ir a um estádio de futebol na longínqua Moóca (moro nas bandas da Freguesia do Ó).
Como a minha condição financeira não é das melhores, tivemos de encarar ônibus e metrô para, finalmente, encontrarmos os amigos que também iriam assistir ao jogo. Durante o caminho se trocamos duas palavras foi muito e a cara dela de sono e irritação persistiam.
Dois pensamentos vieram a minha mente: ou o mau humor matutino dela está um pouco mais prolongado que o normal ou vou ter de encarar aquele bicão o dia inteiro e ficar sem entender porquê dela ter aceitado o convite para ir comigo nesse jogo - é importante frisar que já fomos juntos algumas vezes à Javarí, mas em horário muito mais agradável, às 15:00, e ela gostou muito.
Amigos encontrados, lugares garantidos no estádio, percebi que o ar de contrariedade se dissipava. Ir à Rua Javarí é uma das experiências mais gostosas pela qual pode passar um amante e torcedor de futebol. Além de “retornar” no tempo e da atmosfera agradável que há entre as pessoas que vão assistir aos jogos, você sente-se efetivamente parte do espetáculo que é o jogo de futebol – algo cada vez mais raro nesse futebol dito profissionalizado, que cada vez mais trata o torcedor como mero espectador e, ainda assim, pelo menos aqui no Brasil, um espectador muito mal tratado.
Clima de decisão e pela primeira vez vejo a Javarí lotada. Tratava-se de um momento histórico: o Juventus estava prestes a se tornar campeão, algo que acontecera apenas duas vezes na trajetória do clube, fundado em 1924.
Todos confiantes na conquista juventina! Afinal, o Juventus podia perder por até 1 gol de diferença (o primeiro jogo, em Lins, foi 2 a 1 para o Juventus).
Jogo se inicia e a confiança logo aumentou com o Juventus abrindo o placar logo no início, num belo chute de fora da área de Elias.
E a festa aumentou com o pênalti sofrido por Valdir (lateral-direito subaproveitado durante toda a partida). O segundo gol praticamente selaria o título. Porém, a cobrança foi batida na trave e, logo em seguida, para dar uma esfriada legal no clima, o Linense marcava o seu primeiro gol.
Fim de 1º tempo: 1 x 1. E intervalo é hora de encarar uma multidão para comer o tradicional canoli (com recheio de creme ou de chocolate) feito e vendido por um senhor sempre muito suado e ágil no atendimento dos seus muitos clientes.
Segundo tempo. Jogo equilibrado, mas o Juventus insistia em perder gols fáceis. A cada minuto que avançava, o time recuava mais, dando campo para a pressão do time de Lins.
Eu, que torcia desesperadamente para que o jogo acabasse o mais depressa possível, passei a ser ridicularizado pelos meus amigos que diziam: “Só mesmo corintiano para comemorar título com um empate”. Típico comentário de são-paulino emergente, mas que pouco conhece sobre futebol.
Voltando ao jogo, o clima de tensão aumentava com o gol do Linense, aos 38 minutos. Os meus apelos pelo fim de partida aumentavam e quando o quarto árbitro levantava a placa indicando o acréscimo de 3 minutos, em mais uma falha da zaga juventina, o juiz marcou corretamente pênalti a favor do Linense.
O sentimento que tomou conta do estádio naquele momento pode ser resumido em duas palavras: perplexidade e desespero. Ali, sentado no concreto das numeradas cobertas da Javarí, vinha-me a imagem do Maracanazzo de 1950. Naquele instante, acho que pude entender a dor que aqueles torcedores sentiram ao ver um título tão esperado e considerado ganho, sendo perdido.
Pênalti bem cobrado e o Linense fazia 3 a 1. O Linense, time da Terceira Divisão paulista, levava naquele momento o título da Copa Federação Paulista de Futebol.
Restavam ainda 1, 2 minutos, mas o time do Juventus estava totalmente desordenado e nada indicava que o quadro se alterasse.
Até que o juiz marcou uma falta no meio campo. Seria o último lance do jogo. Os dois times praticamente inteiros se posicionaram dentro da área. Bola cruzada para a área. Bate-rebate e a bola sobrou para o chute torto do lateral-esquerdo juventino João Paulo, desviou em um zagueiro do Linense, até, finalmente, morrer na rede. Gol! Festa e fim de partida!!! O Juventus se sagrava campeão da Copa FPF!
Êxtase na Javarí! Todos no estádio comemoravam. Vejo os meus amigos, felizes e emocionados diante de momento tão apoteótico. A primeira pessoa que abraço – e beijo – calorosamente é a minha namorada que vibrou, torceu e se emocionou durante toda a partida. Depois o abraço nos amigos que vibravam com o título ganho com uma derrota por 3 a 2...
Enfim, são momentos como esse que ratificam o quão maravilhoso e apaixonante é esse jogo chamado futebol. E na saída da Javarí, de mãos dadas com a minha namorada, naquele momento, tão feliz quanto eu, fiquei com a sensação de que é muito melhor quando tal paixão pode ser compartilhada com a pessoa amada. E é a ela, a minha amada, a quem dedico essas linhas"
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Dois exemplos para Robinho
Robinho surgiu para o futebol em 2002, ano em que ajudou (e muito!) o Santos a conquistar o título do Campeonato Brasileiro. Destacou-se, sobretudo, na finalíssima diante do Corinthians, treinado por Parreira. A sua seqüência de pedaladas diante do atordoado lateral-direito corinthiano Rogério entrou para o rol dos grandes momentos do futebol.
Depois disso, Robinho tornou-se celebridade e apontado como o futuro grande craque do futebol brasileiro. Até por conta da semelhança física, foi comparado a Pelé em seu início de carreira pelo mesmo Santos.
Passados 6 anos e outros possíveis “futuros grandes craques do futebol brasileiro”, Robinho não se tornou o grande craque que todos esperavam. Transferiu-se em 2005 para o badalado Real Madrid, mas nunca conseguiu engrenar na equipe madridista. Teve alguns bons momentos, mas nunca se firmou como titular absoluto do time. Na seleção brasileira, alguns lampejos e boas atuações, mas nada que lembre aquele garoto atrevido que liderou o Santos na campanha de 2002 e em outros campeonatos pelo time litorâneo.
Para piorar, foi perdendo o crédito que tinha com a torcida. Angariou a fama de “baladeiro” e passou a ser duramente criticado por sua postura anti-profissional, principalmente, depois do episódio em que convocou a imprensa para manifestar o seu desejo de não mais permanecer no Real Madrid, mesmo tendo contrato em vigor com o clube. Aliás, comportamento muito parecido ao que teve no Santos, quando decidiu abandonar o elenco do Peixe para forçar a sua transferência ao Madrid.
Forçou a barra para ir ao Chelsea, treinado por Felipão, mas acabou parando no modesto Manchester City, clube em que tenta reabilitar a sua imagem e, finalmente, alcançar o objetivo que traçou ao ir a Europa, o de tornar-se um dos maiores jogadores do planeta. Deixando de lado, no momento, as razões que levam talentosos jogadores brasileiros a mostrarem-se cada vez mais precocemente enfadados com a carreira de atleta – e os casos são inúmeros –, volto as minhas atenções ao atual Campeonato Brasileiro e vejo dois jogadores que poderiam servir de exemplos para Robinho: Iarley e Romerito (!?).
Proposta absurda? Não, e explico o porquê.
Além de jogadores medianos e de nomes bizarros, suas trajetórias apresentam mais algumas semelhanças: ambos são jogadores já veteranos, rodados, da categoria dos “ciganos da bola” e cujos destinos se cruzaram recentemente. Saíram a contragosto dos times em que atuavam, para atuar em um Goiás com a moral em baixa e tido como favorito ao rebaixamento. E, mesmo assim, de forma surpreendente, conseguiram dar a volta por cima em suas carreiras e são destaques da ascendente campanha do Goiás, atual líder do 2º turno do Brasileirão.
Iarley conseguiu construir uma bela carreira. Foi duas vezes campeão mundial Interclubes, pelo Boca Juniors e pelo Internacional, sendo, nessa última conquista, considerado o Bola de Prata da competição. Por tudo isso, criou uma forte identificação com a equipe colorada. Mesmo assim, a diretoria do Inter, alegando necessidade de renovar o elenco, descartou Iarley e o negociou com o Goiás no início do campeonato.
Já Romerito, diferentemente de Iarley, pela primeira vez experimentava a sensação de estar em um time campeão. Depois de rodar por inúmeros clubes, finalmente tinha a oportunidade de integrar um elenco que viria a ser vitorioso. O Sport, em sua campanha na Copa do Brasil, superou favoritos como Palmeiras e o Internacional e Romerito era um dos protagonistas pela façanha do clube pernambucano. Porém, o seu sonho de ser campeão em campo foi abortado, já que o seu contrato de empréstimo com o Sport se encerrou dias antes dos jogos finais contra o Corinthians. Impossibilitado de estar presente naquele que seria o momento ápice de sua carreira, viu-se obrigado a retornar ao Goiás.
Apesar de não quererem estar ali naquele momento, ambos encararam um difícil recomeço no Goiás. Talvez porque reconhecessem que o clube goiano nada tinha a ver com o descaso do time gaúcho e a incompetência da diretoria pernambucana. Ou talvez porque a experiência tenha os ensinado que na vida e naquilo que qualquer indivíduo se propõe a fazer, sempre existe a necessidade (e mesmo a cobrança) de se provar a sua competência. E, hoje, são protagonistas da reação do clube esmeraldino.
Voltando a Robinho, se ele quiser dar um impulso na sua carreira, pode inspirar-se nesses “trabalhadores da bola”, jogadores que nunca foram cogitados para serem os melhores do mundo. Quem sabe, assim, ele possa definitivamente largar o estigma de eterna promessa.
Ps. 1: Depois do fracasso da campanha para reabilitar Ronaldinho Gaúcho, agora a Globo faz todo um oba-oba para recuperar a imagem de Robinho. Vide a enorme repercussão feita pela sua atuação na goleada de 6 a 0 do Manchester City sobre o todo-poderoso Portsmouth.
Ps. 2: Não sei se é um indicativo de mudança de postura por parte do jogador, mas na semana passada, Robinho anunciou o fim do seu vínculo com o polêmico (na pior conotação possível) empresário de atletas, Vágner Ribeiro.
Depois disso, Robinho tornou-se celebridade e apontado como o futuro grande craque do futebol brasileiro. Até por conta da semelhança física, foi comparado a Pelé em seu início de carreira pelo mesmo Santos.
Passados 6 anos e outros possíveis “futuros grandes craques do futebol brasileiro”, Robinho não se tornou o grande craque que todos esperavam. Transferiu-se em 2005 para o badalado Real Madrid, mas nunca conseguiu engrenar na equipe madridista. Teve alguns bons momentos, mas nunca se firmou como titular absoluto do time. Na seleção brasileira, alguns lampejos e boas atuações, mas nada que lembre aquele garoto atrevido que liderou o Santos na campanha de 2002 e em outros campeonatos pelo time litorâneo.
Para piorar, foi perdendo o crédito que tinha com a torcida. Angariou a fama de “baladeiro” e passou a ser duramente criticado por sua postura anti-profissional, principalmente, depois do episódio em que convocou a imprensa para manifestar o seu desejo de não mais permanecer no Real Madrid, mesmo tendo contrato em vigor com o clube. Aliás, comportamento muito parecido ao que teve no Santos, quando decidiu abandonar o elenco do Peixe para forçar a sua transferência ao Madrid.
Forçou a barra para ir ao Chelsea, treinado por Felipão, mas acabou parando no modesto Manchester City, clube em que tenta reabilitar a sua imagem e, finalmente, alcançar o objetivo que traçou ao ir a Europa, o de tornar-se um dos maiores jogadores do planeta. Deixando de lado, no momento, as razões que levam talentosos jogadores brasileiros a mostrarem-se cada vez mais precocemente enfadados com a carreira de atleta – e os casos são inúmeros –, volto as minhas atenções ao atual Campeonato Brasileiro e vejo dois jogadores que poderiam servir de exemplos para Robinho: Iarley e Romerito (!?).
Proposta absurda? Não, e explico o porquê.
Além de jogadores medianos e de nomes bizarros, suas trajetórias apresentam mais algumas semelhanças: ambos são jogadores já veteranos, rodados, da categoria dos “ciganos da bola” e cujos destinos se cruzaram recentemente. Saíram a contragosto dos times em que atuavam, para atuar em um Goiás com a moral em baixa e tido como favorito ao rebaixamento. E, mesmo assim, de forma surpreendente, conseguiram dar a volta por cima em suas carreiras e são destaques da ascendente campanha do Goiás, atual líder do 2º turno do Brasileirão.
Iarley conseguiu construir uma bela carreira. Foi duas vezes campeão mundial Interclubes, pelo Boca Juniors e pelo Internacional, sendo, nessa última conquista, considerado o Bola de Prata da competição. Por tudo isso, criou uma forte identificação com a equipe colorada. Mesmo assim, a diretoria do Inter, alegando necessidade de renovar o elenco, descartou Iarley e o negociou com o Goiás no início do campeonato.
Já Romerito, diferentemente de Iarley, pela primeira vez experimentava a sensação de estar em um time campeão. Depois de rodar por inúmeros clubes, finalmente tinha a oportunidade de integrar um elenco que viria a ser vitorioso. O Sport, em sua campanha na Copa do Brasil, superou favoritos como Palmeiras e o Internacional e Romerito era um dos protagonistas pela façanha do clube pernambucano. Porém, o seu sonho de ser campeão em campo foi abortado, já que o seu contrato de empréstimo com o Sport se encerrou dias antes dos jogos finais contra o Corinthians. Impossibilitado de estar presente naquele que seria o momento ápice de sua carreira, viu-se obrigado a retornar ao Goiás.
Apesar de não quererem estar ali naquele momento, ambos encararam um difícil recomeço no Goiás. Talvez porque reconhecessem que o clube goiano nada tinha a ver com o descaso do time gaúcho e a incompetência da diretoria pernambucana. Ou talvez porque a experiência tenha os ensinado que na vida e naquilo que qualquer indivíduo se propõe a fazer, sempre existe a necessidade (e mesmo a cobrança) de se provar a sua competência. E, hoje, são protagonistas da reação do clube esmeraldino.
Voltando a Robinho, se ele quiser dar um impulso na sua carreira, pode inspirar-se nesses “trabalhadores da bola”, jogadores que nunca foram cogitados para serem os melhores do mundo. Quem sabe, assim, ele possa definitivamente largar o estigma de eterna promessa.
Ps. 1: Depois do fracasso da campanha para reabilitar Ronaldinho Gaúcho, agora a Globo faz todo um oba-oba para recuperar a imagem de Robinho. Vide a enorme repercussão feita pela sua atuação na goleada de 6 a 0 do Manchester City sobre o todo-poderoso Portsmouth.
Ps. 2: Não sei se é um indicativo de mudança de postura por parte do jogador, mas na semana passada, Robinho anunciou o fim do seu vínculo com o polêmico (na pior conotação possível) empresário de atletas, Vágner Ribeiro.
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
O abrir das cortinas...
"Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo, torcida brasileira..."
Modestamente parafraseando o lendário locutor Fiori Giglioti, escrevo o post inaugural desse blog.
Demorou, mas finalmente a idéia começa a se concretizar.
O projeto original propõe que esse seja um espaço para que amigos apaixonados por futebol, estejam aqui relatando algumas de suas experiências, pensamentos e reflexões acerca do jogo. Coube a mim, a responsabilidade de dar forma a essa idéia.
De início, já foi difícil escolher um título para o blog, mas acho que ele consegue transmitir um pouco do que é o objetivo deste espaço: pensar e escrever sobre detalhes e personagens, do passado e presente, ligados ao esporte mais popular do mundo.
Creio que é um consenso, de que tais visões sobre o futebol não estariam fechadas no jogo em si, mas, sim, deveriam representar tentativas de se ir muito além, na busca de se construir relações com outros temas.
Pessoalmente, creio que irei privilegiar alguns dos aspectos humanos e, mesmo, inusitados do futebol.
Creio que assim, de alguma forma, estaremos nos dedicando a tentar responder, ainda que de maneira parcial e indireta, o porquê do futebol ser capaz de despertar tantas paixões, comparável, por exemplo, a um espetáculo teatral. Aliás, Fiori, como grande locutor que era, sabia captar muito bem o elemento dramático que o jogo carrega em si, dentro e fora das quatro linhas.
Sejam muito bem vindos a esse espaço e, finalmente, é dado o pontapé inicial!!!
Modestamente parafraseando o lendário locutor Fiori Giglioti, escrevo o post inaugural desse blog.
Demorou, mas finalmente a idéia começa a se concretizar.
O projeto original propõe que esse seja um espaço para que amigos apaixonados por futebol, estejam aqui relatando algumas de suas experiências, pensamentos e reflexões acerca do jogo. Coube a mim, a responsabilidade de dar forma a essa idéia.
De início, já foi difícil escolher um título para o blog, mas acho que ele consegue transmitir um pouco do que é o objetivo deste espaço: pensar e escrever sobre detalhes e personagens, do passado e presente, ligados ao esporte mais popular do mundo.
Creio que é um consenso, de que tais visões sobre o futebol não estariam fechadas no jogo em si, mas, sim, deveriam representar tentativas de se ir muito além, na busca de se construir relações com outros temas.
Pessoalmente, creio que irei privilegiar alguns dos aspectos humanos e, mesmo, inusitados do futebol.
Creio que assim, de alguma forma, estaremos nos dedicando a tentar responder, ainda que de maneira parcial e indireta, o porquê do futebol ser capaz de despertar tantas paixões, comparável, por exemplo, a um espetáculo teatral. Aliás, Fiori, como grande locutor que era, sabia captar muito bem o elemento dramático que o jogo carrega em si, dentro e fora das quatro linhas.
Sejam muito bem vindos a esse espaço e, finalmente, é dado o pontapé inicial!!!
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