terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Sobre a nova maior rivalidade paulistana e a perda de auto-estima corinthiana

Estava tentado a escrever algo sobre o clássico de gosto duvidoso, do último domingo. No texto do Felipe, tive a inspiração para tratar de outro tema que martela a minha cabeça há tempos.
Não quero me estender mais sobre o jogo de domingo, pois muito já foi dito sobre a imprudência das diretorias que refletiu no comportamento de torcedores, policiais e dos jogadores em campo, mais preocupados em demonstrar virilidade em detrimento do futebol.
Em cima de uma polêmica vazia, os dirigentes de Corinthians e São Paulo, conseguiram criar uma atmosfera de guerra para o jogo. E ainda dizem que os nossos dirigentes não sabem promover espetáculos...
Mas, mais especificamente, sobre a rivalidade que envolve São Paulo e Corinthians, tem me chamado a atenção a postura da recém-eleita diretoria alvinegra que, frequentemente, tem feito comentários depreciativos (ofensas mais adequadas às arquibancadas como o famoso "Bambi", "Meninas do Morumbi", ou simplesmente "Elas") a tudo o que se refere a equipe do Morumbi.
O que está em questão aqui não é o gosto pelo chulo por parte da cúpula corinthiana. Mas o que me chama a atenção é a necessidade constante da afirmação em cima da depreciação do outro.
Sempre lidei com o fato do Corinthians ser o alvo de gozações e da inveja dos rivais. Tanto é assim que se preconiza que existem duas grandes torcidas em São Paulo: os corinthianos e os anti-corinthianos.
No meu entender, o corinthiano é um orgulhoso por natureza, sem necessitar cair no lugar-comum de ofender o outro. Até porque não é necessário, pois o que mais irrita os rivais é a capacidade do corinthiano não se rebaixar por pior que fosse a situação. O corinthiano é um indivíduo dotado um sentimento de superioridade, até mesmo de magnanimidade frente aos demais.
Em suma, parto do princípio de que o indivíduo que torce pelo Corinthians, não o faz por conta de vitórias e títulos conquistados. Tem orgulho de ser corinthiano, pelo simples fato de se sentir torcedor do Corinthians. E esse detalhe tão pequeno, tem um grande potencial de incomodar a muitos, e constituiu-se no diferencial que faz do Corinthians um time tão singular entre os considerados grandes.
Sendo assim, quando vejo Andres Sanchez e seus asseclas fazendo gracejos e ofendendo um rival, revelando uma acentuada preocupação com o sucesso alheio, só tenho a lamentar.
Tenho certeza que não serão esses pulhas que vão conseguir apequenar o Corinthians. Mas com atitudes como essa, eles fazem de tudo para tornar o Corinthians em um time mais comum...

2 comentários:

Felipe Carrilho disse...

Fiquei com os olhos marejados lendo a sua descrição do "ser corinthiano". É isso mesmo, nosso sentimento pelo Corinthians é amor, pois é gratuito.

Maurício Rodrigues Pinto disse...

Convido o David (ele sabe da existência do blog???) a escrever as duas ou três linhas necessárias para a descrição do que é "ser são-paulino"... rs