Cada time de futebol possui uma mística própria, que, no limite, acaba por defini-lo. Podemos entender o termo "mística", da maneira como o empregamos nos assuntos futebolísticos, como um conjunto de imagens e ideias que povoam o imaginário de um determinado clube e de elementos relacionados a este, como a sua torcida, por exemplo.
A mística corintiana é bastante curiosa e original. O Corinthians é o único clube brasileiro calcado no culto ao sofrimento e à dor. A alma corintiana transforma sentimentos considerados indesejáveis em virtude. Não é à toa que bradamos nas arquibancadas: "Corintiano, maloqueiro e sofredor/Graças a Deus!". Artifícios como este, lançados pela torcida corintiana, parecem responder à necessidade de suportar as desilusões futebolísticas que marcam a trajetória do clube do Parque São Jorge e a Fiel. Mas, a originalidade perturbadora da questão está no fato de que reações desse tipo não apenas representam uma forma de resistência, mas, principalmente, fundamentam a identidade e a grandeza do Corinthians. Vale lembrar que foi no período de quase 23 anos em que o alvinegro esteve sem conquistar títulos de expressão que a torcida corintiana mais cresceu.
Tenho 27 anos de idade e, portanto, vivi intensamente o grande momento corintiano do final da década de 1990 e do início dos anos 2000. Um time que possuía um meio de campo formado por Rincón, Vampeta, Marcelinho e Ricardinho - todos no auge de suas carreiras - era de encantar qualquer um. E, de fato, muitas alegrias comemorei nesse período. Entretanto, passadas as festividades, uma sensação peculiar sempre me assaltava. Era uma espécie de ressaca moral, um sutil sentimento de culpa pela vitória alcançada. Desconfio que a mística corintiana tem muito a ver com isso.
A mística corintiana é bastante curiosa e original. O Corinthians é o único clube brasileiro calcado no culto ao sofrimento e à dor. A alma corintiana transforma sentimentos considerados indesejáveis em virtude. Não é à toa que bradamos nas arquibancadas: "Corintiano, maloqueiro e sofredor/Graças a Deus!". Artifícios como este, lançados pela torcida corintiana, parecem responder à necessidade de suportar as desilusões futebolísticas que marcam a trajetória do clube do Parque São Jorge e a Fiel. Mas, a originalidade perturbadora da questão está no fato de que reações desse tipo não apenas representam uma forma de resistência, mas, principalmente, fundamentam a identidade e a grandeza do Corinthians. Vale lembrar que foi no período de quase 23 anos em que o alvinegro esteve sem conquistar títulos de expressão que a torcida corintiana mais cresceu.
Tenho 27 anos de idade e, portanto, vivi intensamente o grande momento corintiano do final da década de 1990 e do início dos anos 2000. Um time que possuía um meio de campo formado por Rincón, Vampeta, Marcelinho e Ricardinho - todos no auge de suas carreiras - era de encantar qualquer um. E, de fato, muitas alegrias comemorei nesse período. Entretanto, passadas as festividades, uma sensação peculiar sempre me assaltava. Era uma espécie de ressaca moral, um sutil sentimento de culpa pela vitória alcançada. Desconfio que a mística corintiana tem muito a ver com isso.
3 comentários:
Muito bom esse texto, mas prefiro a ressaca moral, sem dúvida. Ainda que depois das derrotas mais trágicas, essa mística seja reconfortante.
Abraço
Ou pode ter similaridade com o meu caso, quando deixei de gostar de futebol depois da Copa de 94. Gostei tanto daquela merda que o sentimento posterior aniquilou minha vontade de assistir os jogos mais ordinários. Eu esperava que fosse momentâneo, mas NECAS DE PITIBIRIBA.
Comparação guardada as devidas proporções, é claro.
Abraços.
Ass: Gansatan
no início dos anos 90 que títulos vc comemorou? Paulistão?? Brasileirão?? Ahh!! Deve realmente ter realmente chegado nos noticiários mundiais ... e logo depois foram campeões mundiais .. NO PLAY STATION!!
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