Sempre achei o Walter Salles um bom diretor de cinema até os 15 minutos finais de seus filmes. Até os 30 do segundo tempo, o cineasta costumava apresentar, com razoável competência, produções de temáticas sociais, com nítida preocupação fotográfica, tratadas com delicadeza, embora em alguns (ou muitos) momentos flertando com a emoção fácil. Mas sempre a coisa começava a desandar até que, no final, vinha a morte súbita do filme.
A cena mais representativa desta “perda de mão” está em “Diários de Motocicleta”, uma saga do jovem Ernesto, futuro Che Guevara. Apesar das críticas que apontaram certa incoerência na estrutura narrativa do longa, tratou-se de contar, de forma equilibrada, uma aventura de meninos argentinos bem-nascidos e ávidos por um pouco de emoção em viagem pela América Latina. Mas, claro, “o jogo só acaba quando termina”. No clímax do filme, quando Ernestinho começa a se tornar Che, o asmático personagem, no dia de seu aniversário, arrisca-se heroicamente (para não dizer messianicamente) atravessando a nado o riacho de um leprosário peruano – que separa os sãos dos doentes –, embalado por uma trilha sonora de intenções “novelisticamente” dramáticas, para comemorar, do outro lado, o seu dia com os segregados.
Assim, quando fui assistir ao “Linha de passe”, confesso que esperava deslizes parecidos. Ainda mais porque que se tratava de uma história de drama familiar na periferia de São Paulo: quatro irmãos e uma mãe grávida do quinto filho. Mas errei no meu prognóstico. O filme foi conduzido de maneira muito diferente da costumeira, equilibrada. Não há, na linguagem do filme o sentimentalismo de sempre. Os personagens, ao contrário, são duros, contraditórios, humanos.
Porém, não se trata, aqui, de analisar as questões técnicas inerentes à produção cinematográfica, mas sim a presença do tema do futebol na trama do filme. E esta se deu de maneira precisa: O enredo, pode-se dizer, desenha alguns tensos momentos de contatos dos membros da acidentada família paulistana com o outro lado da sociedade, a classe média, as elites, no decorrer de suas trajetórias. Os personagens, desse modo, encontram pela frente a dura tarefa de forjar as suas sobrevivências e identidades em meio a uma composição social caótica e essencialmente contraditória. O futebol é, então, habilmente concebido como pano de fundo exemplar destas tensões. E, não por acaso, o clássico escolhido para tanto é São Paulo e Corinthians, times que, no imaginário futebolístico, representam tradicionalmente os contrastes riqueza/pobreza, elite/povo, ou, neste caso mais adequadamente, centro/periferia.
Neste aspecto do filme que enfatiza o futebol, a personagem central é certamente Cleusa, a mãe. Corintiana fanática, em muitos “takes” aparece no estádio em meio à fiel torcida. Suas desventuras particulares, como a quinta gravidez e a constante ameaça de desemprego, são permeadas por um drama coletivo que ela personifica: a luta do Corinthians para não ser rebaixado à série B do Campeonato Brasileiro. Se partirmos do que aconteceu ao time do parque São Jorge ao fim da competição, poderíamos ler no desfecho do filme a derrota das classes subalternas, representadas alegoricamente pela família paulistana. Mas, é bom que nos lembremos que o jogo que aparece nas telas onde “Linha de passe” é exibido terminou com o placar de 0x1, gol de Betão, o que garante um final de uma esperança apenas sugerida, e um belo filme.
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Uma história de amor e um jogo inesquecível na Javarí
Esse é um relato que escrevi em 26/11/2007, um dia depois do jogo que deu ao Clube Atlético Juventus o título da Copa Federação Paulista de Futebol.
Fiz algumas pequenas modificações, mas espero que nada que venha a descaracterizar um texto escrito ainda no calor das emoções.
A publicação, hoje, é apenas uma forma de homenagear a pessoa que há dois anos mudou, para muito melhor, a minha vida. Espero que ela aprecie o texto e sinta-se homenageada.
Os amigos queridos citados no decorrer do texto são Christian, Kleber e Raquel. A eles, além da amizade, também os agradeço por me apresentarem a Rua Javarí e por compartilharem comigo o carinho pelo ilustre clube da Moóca.
"Para contar a epopéia da conquista juventina, precisaria retroceder algumas horas, mais precisamente, às 6:30 da manhã, horário que acordei para assistir ao jogo no estádio Conde Rodolfo Crespi, popularmente conhecido como estádio da Rua Javarí. Também foi necessário acordar a namorada, que iria ao jogo comigo e parecia muito contrariada por não suportar acordar cedo aos fins de semana - ainda mais para ir a um estádio de futebol na longínqua Moóca (moro nas bandas da Freguesia do Ó).
Como a minha condição financeira não é das melhores, tivemos de encarar ônibus e metrô para, finalmente, encontrarmos os amigos que também iriam assistir ao jogo. Durante o caminho se trocamos duas palavras foi muito e a cara dela de sono e irritação persistiam.
Dois pensamentos vieram a minha mente: ou o mau humor matutino dela está um pouco mais prolongado que o normal ou vou ter de encarar aquele bicão o dia inteiro e ficar sem entender porquê dela ter aceitado o convite para ir comigo nesse jogo - é importante frisar que já fomos juntos algumas vezes à Javarí, mas em horário muito mais agradável, às 15:00, e ela gostou muito.
Amigos encontrados, lugares garantidos no estádio, percebi que o ar de contrariedade se dissipava. Ir à Rua Javarí é uma das experiências mais gostosas pela qual pode passar um amante e torcedor de futebol. Além de “retornar” no tempo e da atmosfera agradável que há entre as pessoas que vão assistir aos jogos, você sente-se efetivamente parte do espetáculo que é o jogo de futebol – algo cada vez mais raro nesse futebol dito profissionalizado, que cada vez mais trata o torcedor como mero espectador e, ainda assim, pelo menos aqui no Brasil, um espectador muito mal tratado.
Clima de decisão e pela primeira vez vejo a Javarí lotada. Tratava-se de um momento histórico: o Juventus estava prestes a se tornar campeão, algo que acontecera apenas duas vezes na trajetória do clube, fundado em 1924.
Todos confiantes na conquista juventina! Afinal, o Juventus podia perder por até 1 gol de diferença (o primeiro jogo, em Lins, foi 2 a 1 para o Juventus).
Jogo se inicia e a confiança logo aumentou com o Juventus abrindo o placar logo no início, num belo chute de fora da área de Elias.
E a festa aumentou com o pênalti sofrido por Valdir (lateral-direito subaproveitado durante toda a partida). O segundo gol praticamente selaria o título. Porém, a cobrança foi batida na trave e, logo em seguida, para dar uma esfriada legal no clima, o Linense marcava o seu primeiro gol.
Fim de 1º tempo: 1 x 1. E intervalo é hora de encarar uma multidão para comer o tradicional canoli (com recheio de creme ou de chocolate) feito e vendido por um senhor sempre muito suado e ágil no atendimento dos seus muitos clientes.
Segundo tempo. Jogo equilibrado, mas o Juventus insistia em perder gols fáceis. A cada minuto que avançava, o time recuava mais, dando campo para a pressão do time de Lins.
Eu, que torcia desesperadamente para que o jogo acabasse o mais depressa possível, passei a ser ridicularizado pelos meus amigos que diziam: “Só mesmo corintiano para comemorar título com um empate”. Típico comentário de são-paulino emergente, mas que pouco conhece sobre futebol.
Voltando ao jogo, o clima de tensão aumentava com o gol do Linense, aos 38 minutos. Os meus apelos pelo fim de partida aumentavam e quando o quarto árbitro levantava a placa indicando o acréscimo de 3 minutos, em mais uma falha da zaga juventina, o juiz marcou corretamente pênalti a favor do Linense.
O sentimento que tomou conta do estádio naquele momento pode ser resumido em duas palavras: perplexidade e desespero. Ali, sentado no concreto das numeradas cobertas da Javarí, vinha-me a imagem do Maracanazzo de 1950. Naquele instante, acho que pude entender a dor que aqueles torcedores sentiram ao ver um título tão esperado e considerado ganho, sendo perdido.
Pênalti bem cobrado e o Linense fazia 3 a 1. O Linense, time da Terceira Divisão paulista, levava naquele momento o título da Copa Federação Paulista de Futebol.
Restavam ainda 1, 2 minutos, mas o time do Juventus estava totalmente desordenado e nada indicava que o quadro se alterasse.
Até que o juiz marcou uma falta no meio campo. Seria o último lance do jogo. Os dois times praticamente inteiros se posicionaram dentro da área. Bola cruzada para a área. Bate-rebate e a bola sobrou para o chute torto do lateral-esquerdo juventino João Paulo, desviou em um zagueiro do Linense, até, finalmente, morrer na rede. Gol! Festa e fim de partida!!! O Juventus se sagrava campeão da Copa FPF!
Êxtase na Javarí! Todos no estádio comemoravam. Vejo os meus amigos, felizes e emocionados diante de momento tão apoteótico. A primeira pessoa que abraço – e beijo – calorosamente é a minha namorada que vibrou, torceu e se emocionou durante toda a partida. Depois o abraço nos amigos que vibravam com o título ganho com uma derrota por 3 a 2...
Enfim, são momentos como esse que ratificam o quão maravilhoso e apaixonante é esse jogo chamado futebol. E na saída da Javarí, de mãos dadas com a minha namorada, naquele momento, tão feliz quanto eu, fiquei com a sensação de que é muito melhor quando tal paixão pode ser compartilhada com a pessoa amada. E é a ela, a minha amada, a quem dedico essas linhas"
Fiz algumas pequenas modificações, mas espero que nada que venha a descaracterizar um texto escrito ainda no calor das emoções.
A publicação, hoje, é apenas uma forma de homenagear a pessoa que há dois anos mudou, para muito melhor, a minha vida. Espero que ela aprecie o texto e sinta-se homenageada.
Os amigos queridos citados no decorrer do texto são Christian, Kleber e Raquel. A eles, além da amizade, também os agradeço por me apresentarem a Rua Javarí e por compartilharem comigo o carinho pelo ilustre clube da Moóca.
"Para contar a epopéia da conquista juventina, precisaria retroceder algumas horas, mais precisamente, às 6:30 da manhã, horário que acordei para assistir ao jogo no estádio Conde Rodolfo Crespi, popularmente conhecido como estádio da Rua Javarí. Também foi necessário acordar a namorada, que iria ao jogo comigo e parecia muito contrariada por não suportar acordar cedo aos fins de semana - ainda mais para ir a um estádio de futebol na longínqua Moóca (moro nas bandas da Freguesia do Ó).
Como a minha condição financeira não é das melhores, tivemos de encarar ônibus e metrô para, finalmente, encontrarmos os amigos que também iriam assistir ao jogo. Durante o caminho se trocamos duas palavras foi muito e a cara dela de sono e irritação persistiam.
Dois pensamentos vieram a minha mente: ou o mau humor matutino dela está um pouco mais prolongado que o normal ou vou ter de encarar aquele bicão o dia inteiro e ficar sem entender porquê dela ter aceitado o convite para ir comigo nesse jogo - é importante frisar que já fomos juntos algumas vezes à Javarí, mas em horário muito mais agradável, às 15:00, e ela gostou muito.
Amigos encontrados, lugares garantidos no estádio, percebi que o ar de contrariedade se dissipava. Ir à Rua Javarí é uma das experiências mais gostosas pela qual pode passar um amante e torcedor de futebol. Além de “retornar” no tempo e da atmosfera agradável que há entre as pessoas que vão assistir aos jogos, você sente-se efetivamente parte do espetáculo que é o jogo de futebol – algo cada vez mais raro nesse futebol dito profissionalizado, que cada vez mais trata o torcedor como mero espectador e, ainda assim, pelo menos aqui no Brasil, um espectador muito mal tratado.
Clima de decisão e pela primeira vez vejo a Javarí lotada. Tratava-se de um momento histórico: o Juventus estava prestes a se tornar campeão, algo que acontecera apenas duas vezes na trajetória do clube, fundado em 1924.
Todos confiantes na conquista juventina! Afinal, o Juventus podia perder por até 1 gol de diferença (o primeiro jogo, em Lins, foi 2 a 1 para o Juventus).
Jogo se inicia e a confiança logo aumentou com o Juventus abrindo o placar logo no início, num belo chute de fora da área de Elias.
E a festa aumentou com o pênalti sofrido por Valdir (lateral-direito subaproveitado durante toda a partida). O segundo gol praticamente selaria o título. Porém, a cobrança foi batida na trave e, logo em seguida, para dar uma esfriada legal no clima, o Linense marcava o seu primeiro gol.
Fim de 1º tempo: 1 x 1. E intervalo é hora de encarar uma multidão para comer o tradicional canoli (com recheio de creme ou de chocolate) feito e vendido por um senhor sempre muito suado e ágil no atendimento dos seus muitos clientes.
Segundo tempo. Jogo equilibrado, mas o Juventus insistia em perder gols fáceis. A cada minuto que avançava, o time recuava mais, dando campo para a pressão do time de Lins.
Eu, que torcia desesperadamente para que o jogo acabasse o mais depressa possível, passei a ser ridicularizado pelos meus amigos que diziam: “Só mesmo corintiano para comemorar título com um empate”. Típico comentário de são-paulino emergente, mas que pouco conhece sobre futebol.
Voltando ao jogo, o clima de tensão aumentava com o gol do Linense, aos 38 minutos. Os meus apelos pelo fim de partida aumentavam e quando o quarto árbitro levantava a placa indicando o acréscimo de 3 minutos, em mais uma falha da zaga juventina, o juiz marcou corretamente pênalti a favor do Linense.
O sentimento que tomou conta do estádio naquele momento pode ser resumido em duas palavras: perplexidade e desespero. Ali, sentado no concreto das numeradas cobertas da Javarí, vinha-me a imagem do Maracanazzo de 1950. Naquele instante, acho que pude entender a dor que aqueles torcedores sentiram ao ver um título tão esperado e considerado ganho, sendo perdido.
Pênalti bem cobrado e o Linense fazia 3 a 1. O Linense, time da Terceira Divisão paulista, levava naquele momento o título da Copa Federação Paulista de Futebol.
Restavam ainda 1, 2 minutos, mas o time do Juventus estava totalmente desordenado e nada indicava que o quadro se alterasse.
Até que o juiz marcou uma falta no meio campo. Seria o último lance do jogo. Os dois times praticamente inteiros se posicionaram dentro da área. Bola cruzada para a área. Bate-rebate e a bola sobrou para o chute torto do lateral-esquerdo juventino João Paulo, desviou em um zagueiro do Linense, até, finalmente, morrer na rede. Gol! Festa e fim de partida!!! O Juventus se sagrava campeão da Copa FPF!
Êxtase na Javarí! Todos no estádio comemoravam. Vejo os meus amigos, felizes e emocionados diante de momento tão apoteótico. A primeira pessoa que abraço – e beijo – calorosamente é a minha namorada que vibrou, torceu e se emocionou durante toda a partida. Depois o abraço nos amigos que vibravam com o título ganho com uma derrota por 3 a 2...
Enfim, são momentos como esse que ratificam o quão maravilhoso e apaixonante é esse jogo chamado futebol. E na saída da Javarí, de mãos dadas com a minha namorada, naquele momento, tão feliz quanto eu, fiquei com a sensação de que é muito melhor quando tal paixão pode ser compartilhada com a pessoa amada. E é a ela, a minha amada, a quem dedico essas linhas"
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Dois exemplos para Robinho
Robinho surgiu para o futebol em 2002, ano em que ajudou (e muito!) o Santos a conquistar o título do Campeonato Brasileiro. Destacou-se, sobretudo, na finalíssima diante do Corinthians, treinado por Parreira. A sua seqüência de pedaladas diante do atordoado lateral-direito corinthiano Rogério entrou para o rol dos grandes momentos do futebol.
Depois disso, Robinho tornou-se celebridade e apontado como o futuro grande craque do futebol brasileiro. Até por conta da semelhança física, foi comparado a Pelé em seu início de carreira pelo mesmo Santos.
Passados 6 anos e outros possíveis “futuros grandes craques do futebol brasileiro”, Robinho não se tornou o grande craque que todos esperavam. Transferiu-se em 2005 para o badalado Real Madrid, mas nunca conseguiu engrenar na equipe madridista. Teve alguns bons momentos, mas nunca se firmou como titular absoluto do time. Na seleção brasileira, alguns lampejos e boas atuações, mas nada que lembre aquele garoto atrevido que liderou o Santos na campanha de 2002 e em outros campeonatos pelo time litorâneo.
Para piorar, foi perdendo o crédito que tinha com a torcida. Angariou a fama de “baladeiro” e passou a ser duramente criticado por sua postura anti-profissional, principalmente, depois do episódio em que convocou a imprensa para manifestar o seu desejo de não mais permanecer no Real Madrid, mesmo tendo contrato em vigor com o clube. Aliás, comportamento muito parecido ao que teve no Santos, quando decidiu abandonar o elenco do Peixe para forçar a sua transferência ao Madrid.
Forçou a barra para ir ao Chelsea, treinado por Felipão, mas acabou parando no modesto Manchester City, clube em que tenta reabilitar a sua imagem e, finalmente, alcançar o objetivo que traçou ao ir a Europa, o de tornar-se um dos maiores jogadores do planeta. Deixando de lado, no momento, as razões que levam talentosos jogadores brasileiros a mostrarem-se cada vez mais precocemente enfadados com a carreira de atleta – e os casos são inúmeros –, volto as minhas atenções ao atual Campeonato Brasileiro e vejo dois jogadores que poderiam servir de exemplos para Robinho: Iarley e Romerito (!?).
Proposta absurda? Não, e explico o porquê.
Além de jogadores medianos e de nomes bizarros, suas trajetórias apresentam mais algumas semelhanças: ambos são jogadores já veteranos, rodados, da categoria dos “ciganos da bola” e cujos destinos se cruzaram recentemente. Saíram a contragosto dos times em que atuavam, para atuar em um Goiás com a moral em baixa e tido como favorito ao rebaixamento. E, mesmo assim, de forma surpreendente, conseguiram dar a volta por cima em suas carreiras e são destaques da ascendente campanha do Goiás, atual líder do 2º turno do Brasileirão.
Iarley conseguiu construir uma bela carreira. Foi duas vezes campeão mundial Interclubes, pelo Boca Juniors e pelo Internacional, sendo, nessa última conquista, considerado o Bola de Prata da competição. Por tudo isso, criou uma forte identificação com a equipe colorada. Mesmo assim, a diretoria do Inter, alegando necessidade de renovar o elenco, descartou Iarley e o negociou com o Goiás no início do campeonato.
Já Romerito, diferentemente de Iarley, pela primeira vez experimentava a sensação de estar em um time campeão. Depois de rodar por inúmeros clubes, finalmente tinha a oportunidade de integrar um elenco que viria a ser vitorioso. O Sport, em sua campanha na Copa do Brasil, superou favoritos como Palmeiras e o Internacional e Romerito era um dos protagonistas pela façanha do clube pernambucano. Porém, o seu sonho de ser campeão em campo foi abortado, já que o seu contrato de empréstimo com o Sport se encerrou dias antes dos jogos finais contra o Corinthians. Impossibilitado de estar presente naquele que seria o momento ápice de sua carreira, viu-se obrigado a retornar ao Goiás.
Apesar de não quererem estar ali naquele momento, ambos encararam um difícil recomeço no Goiás. Talvez porque reconhecessem que o clube goiano nada tinha a ver com o descaso do time gaúcho e a incompetência da diretoria pernambucana. Ou talvez porque a experiência tenha os ensinado que na vida e naquilo que qualquer indivíduo se propõe a fazer, sempre existe a necessidade (e mesmo a cobrança) de se provar a sua competência. E, hoje, são protagonistas da reação do clube esmeraldino.
Voltando a Robinho, se ele quiser dar um impulso na sua carreira, pode inspirar-se nesses “trabalhadores da bola”, jogadores que nunca foram cogitados para serem os melhores do mundo. Quem sabe, assim, ele possa definitivamente largar o estigma de eterna promessa.
Ps. 1: Depois do fracasso da campanha para reabilitar Ronaldinho Gaúcho, agora a Globo faz todo um oba-oba para recuperar a imagem de Robinho. Vide a enorme repercussão feita pela sua atuação na goleada de 6 a 0 do Manchester City sobre o todo-poderoso Portsmouth.
Ps. 2: Não sei se é um indicativo de mudança de postura por parte do jogador, mas na semana passada, Robinho anunciou o fim do seu vínculo com o polêmico (na pior conotação possível) empresário de atletas, Vágner Ribeiro.
Depois disso, Robinho tornou-se celebridade e apontado como o futuro grande craque do futebol brasileiro. Até por conta da semelhança física, foi comparado a Pelé em seu início de carreira pelo mesmo Santos.
Passados 6 anos e outros possíveis “futuros grandes craques do futebol brasileiro”, Robinho não se tornou o grande craque que todos esperavam. Transferiu-se em 2005 para o badalado Real Madrid, mas nunca conseguiu engrenar na equipe madridista. Teve alguns bons momentos, mas nunca se firmou como titular absoluto do time. Na seleção brasileira, alguns lampejos e boas atuações, mas nada que lembre aquele garoto atrevido que liderou o Santos na campanha de 2002 e em outros campeonatos pelo time litorâneo.
Para piorar, foi perdendo o crédito que tinha com a torcida. Angariou a fama de “baladeiro” e passou a ser duramente criticado por sua postura anti-profissional, principalmente, depois do episódio em que convocou a imprensa para manifestar o seu desejo de não mais permanecer no Real Madrid, mesmo tendo contrato em vigor com o clube. Aliás, comportamento muito parecido ao que teve no Santos, quando decidiu abandonar o elenco do Peixe para forçar a sua transferência ao Madrid.
Forçou a barra para ir ao Chelsea, treinado por Felipão, mas acabou parando no modesto Manchester City, clube em que tenta reabilitar a sua imagem e, finalmente, alcançar o objetivo que traçou ao ir a Europa, o de tornar-se um dos maiores jogadores do planeta. Deixando de lado, no momento, as razões que levam talentosos jogadores brasileiros a mostrarem-se cada vez mais precocemente enfadados com a carreira de atleta – e os casos são inúmeros –, volto as minhas atenções ao atual Campeonato Brasileiro e vejo dois jogadores que poderiam servir de exemplos para Robinho: Iarley e Romerito (!?).
Proposta absurda? Não, e explico o porquê.
Além de jogadores medianos e de nomes bizarros, suas trajetórias apresentam mais algumas semelhanças: ambos são jogadores já veteranos, rodados, da categoria dos “ciganos da bola” e cujos destinos se cruzaram recentemente. Saíram a contragosto dos times em que atuavam, para atuar em um Goiás com a moral em baixa e tido como favorito ao rebaixamento. E, mesmo assim, de forma surpreendente, conseguiram dar a volta por cima em suas carreiras e são destaques da ascendente campanha do Goiás, atual líder do 2º turno do Brasileirão.
Iarley conseguiu construir uma bela carreira. Foi duas vezes campeão mundial Interclubes, pelo Boca Juniors e pelo Internacional, sendo, nessa última conquista, considerado o Bola de Prata da competição. Por tudo isso, criou uma forte identificação com a equipe colorada. Mesmo assim, a diretoria do Inter, alegando necessidade de renovar o elenco, descartou Iarley e o negociou com o Goiás no início do campeonato.
Já Romerito, diferentemente de Iarley, pela primeira vez experimentava a sensação de estar em um time campeão. Depois de rodar por inúmeros clubes, finalmente tinha a oportunidade de integrar um elenco que viria a ser vitorioso. O Sport, em sua campanha na Copa do Brasil, superou favoritos como Palmeiras e o Internacional e Romerito era um dos protagonistas pela façanha do clube pernambucano. Porém, o seu sonho de ser campeão em campo foi abortado, já que o seu contrato de empréstimo com o Sport se encerrou dias antes dos jogos finais contra o Corinthians. Impossibilitado de estar presente naquele que seria o momento ápice de sua carreira, viu-se obrigado a retornar ao Goiás.
Apesar de não quererem estar ali naquele momento, ambos encararam um difícil recomeço no Goiás. Talvez porque reconhecessem que o clube goiano nada tinha a ver com o descaso do time gaúcho e a incompetência da diretoria pernambucana. Ou talvez porque a experiência tenha os ensinado que na vida e naquilo que qualquer indivíduo se propõe a fazer, sempre existe a necessidade (e mesmo a cobrança) de se provar a sua competência. E, hoje, são protagonistas da reação do clube esmeraldino.
Voltando a Robinho, se ele quiser dar um impulso na sua carreira, pode inspirar-se nesses “trabalhadores da bola”, jogadores que nunca foram cogitados para serem os melhores do mundo. Quem sabe, assim, ele possa definitivamente largar o estigma de eterna promessa.
Ps. 1: Depois do fracasso da campanha para reabilitar Ronaldinho Gaúcho, agora a Globo faz todo um oba-oba para recuperar a imagem de Robinho. Vide a enorme repercussão feita pela sua atuação na goleada de 6 a 0 do Manchester City sobre o todo-poderoso Portsmouth.
Ps. 2: Não sei se é um indicativo de mudança de postura por parte do jogador, mas na semana passada, Robinho anunciou o fim do seu vínculo com o polêmico (na pior conotação possível) empresário de atletas, Vágner Ribeiro.
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